Perdidos num desvão do tempo                   

 

 

 

            É impressionante como ainda existem pessoas que buscam o caminho da política e a participação em instituições, com a intenção apenas de se dar bem pessoalmente. Em pleno século 21, sob grave e inequívoca crise causada pela insustentabilidade do sistema, enquanto a avalanche se move de volta contra os promotores desses malefícios, vemos muita gente ainda articulando a continuidade pelo caminho que acabou, promovendo a destruição do rescaldo, ainda perdida na ilusão e tentando nadar contra a tempestade, enquanto praticam o mal à deriva da razão, da ética e da moral.

            Vivemos um momento muito especial e emblemático de nossa civilização. Para a economia há uma crise de gerência, enquanto os demais setores buscam justificar-se na crise econômica, sem se dar conta de que tudo está sendo condenado a rolar ladeira abaixo, inclusive a vida com a sua razão, valores e circunstâncias, porque aceitamos submete-la ao valor do dinheiro, apesar da sua dimensão sagrada. Diga-se, sua dimensão sagrada subjaz soterrada pela hegemonia da cartilha dos valores materiais, da qual emergiram circunstâncias destituídas de consideração e amor ao próximo, como a exploração, a ganância, a prepotência, a imoralidade e toda sorte de malefícios que deturparam, corromperam e arruinaram a vida em seu sentido e integridade, colocando-a a serviço de instâncias subalternas

            Acabou! Os remendos que ora são construídos darão apenas uma sobrevida a esse sistema, porque não há mais como os povos continuarem abandonando a sua razão de ser e de viver, para continuarem a produzir toda a riqueza necessária ao sustento do grande poder dos donos do mundo e seus bancos. A brincadeira acabou não porque o homem contemporâneo, através de sua nova consciência reassumiu, enfim, a nobre postura de seguir o seu caminho. Não! Acabou porque o próprio processo vem tropeçando em sua insustentabilidade, substanciada em mentiras, covardia, crescentes desacertos e não tem mais lenhas escusas para manter o fogo do mal.

            Estamos diante de uma encruzilhada. Se entendermos que vale a pena lutar contra a extinção da vida sobre o planeta Terra, se nos convencermos de que o importante é a vida, teremos que operar uma radical mudança em nossas relações sociais, praticando outra vivência, nova forma de subsistência, resgatar nossos valores originais e então corrermos em busca do nosso tesouro maior e descobrir que podemos conviver em harmonia e paz, constatando o verdadeiro significado do que disse Mahatma Gandhi: “Há no mundo o suficiente para todos. Não há o suficiente para a ganância humana.”

            Nesse novo mundo aprenderemos que o alimento principal é o amor, que quando mais se dá, mais se recebe. Vamos constatar também que perdemos séculos em um desvio escuro do nosso milenar processo de evolução, sem percebermos que viemos de milhões de anos e seguimos numa caminhada para outros milhões de anos adiante, cultivando e valorizando o que realmente tem significado, mesmo durante essa fugidia passagem pela Terra. Afinal quem somos nós, o que fazemos aqui, por que e, para onde vamos?  Se tivéssemos a sabedoria para responder a estas perguntas, poderíamos desviar da cortina de fumaça e rumar para o nosso caminho real em paz.   

 

             Amigos agendeiros

 

                          2011 acabou. Deixemos com ele a nota de frustração que carregamos nos últimos anos.

            2012 vem repleto de perguntas sintomáticas sobre os novos rumos a serem descobertos ou redescobertos que viabilizem a continuação da caminhada humana na Terra. Tais perguntas emergem de um cenário precário e sufocante que construímos a partir de uma visão particular de um possível desenvolvimento. Quando consideramos os avanços em particular, verificamos que são fantásticos nos diversos campos das ciências. Porém, quando nos afastamentos mais um passo, para uma visão mais ampla, conseguimos constatar que, ao lado de belos feitos, tal modelo promove inaceitáveis distorções, deixam lamentáveis pegadas e comprometem sua própria continuidade. Um modelo insustentável.

                Com 2012, entretanto, todo o mundo se aproxima do espelho e as perguntas nos remeterão à necessidade de respostas originais e definitivas: – Quem sou? - Onde estou? - De onde vim? - O que faço aqui? - Para onde vou?  É um momento singular da nossa da civilização e exige reflexão e discernimento para utilizar com zelo a atual trajetória em rígida plataforma sobre a qual faremos as correções de rumo para os novos caminhos.

                Se até agora os compromissos da A21 estiveram carentes de função, preparem-se, está em suas mãos a lanterna que mostra a equação, cujas resultantes indicam a necessidade de formulação de perguntas que ensejarão as respostas indicativas dos primeiros movimentos para as novas direções. A cada passo será aplacada uma minúscula parcela de fome e de sede, de angústia e sofrimento, libertando o homem para a sua trajetória civilizadora.

            Estamos cientes das dificuldades, por ser uma questão cultural de forte musculatura, devidamente explicitada pelas ciências humanas, mas estamos igualmente cientes da viabilidade, por ser um sonho verdadeiro.

                 Um forte abraço a todos e um 2012 de ânimo, largos passos e muitos sorrisos.

 

 

 

 

 

                   Humanamente compreensível

 

           

            Mais uma vez estamos diante de uma crise institucional e, mais uma vez, os diversos segmentos buscam entendê-la segundo suas posições, desenhando a possível saída apontada para os seus campos de interesse.

            Há um velho dito popular que se aplica por aqui, em parte: “Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. Os países centrais deixaram de responder pelos seus compromissos, feriram fortemente o sistema financeiro e globalizaram a crise que começa a atingir os países emergentes. Praticamente esse é o consenso, independentemente das cores dos clubes, apesar do reconhecimento de que essa não é uma crise trivial, que a insatisfação já botou nas ruas para as manifestações de protesto mais de mil cidades em todo o mundo e que, segundo a OIT, o desemprego já atinge mais de 200 milhões de pessoas.

            Na análise crítica recorrem à reinterpretação dos fundamentos dos tantos teóricos, alguns já superados, porque todos procuram por uma saída e, de preferência, o mais rápido possível, para poupar investimentos, minorar os danos... Enfim, evitar o cultivo de um espaço em branco grande demais onde possa germinar uma nova semente, afinal o momento é fértil, prenhe e ávido de conceber o novo.

            As revisões em busca de reinterpretar Marx e ajustar os pensamentos dos teóricos recentes e suas teses socialistas, positivistas, monetaristas, liberais, neoliberais e outras, voltaram à pauta.  Se não debelarem logo a ânsia, terão que tomar algumas colheres do suco puro da fisiocracia.

            Pois bem, estamos mesmo perdidos numa viela variante do nosso caminho civilizador? Teremos que refazer o nosso plano de voo para seguir o caminho desejado?   É certo que desejamos algum caminho e sabemos como alcançá-lo? 

            Os processos teóricos mais modernos, sobretudo os que sublinham as tratativas funcionais da economia, em função da importância da própria matéria, ganharam autonomia e sugeriram que o mundo deveria se adequar a um processo orientador. A partir daí, emitiram as normas baseadas nessa nova ordem, que acenava com a otimização do controle e com a garantia dos lucros crescentes, e botaram o mundo para girar a favor de quem teorizou e pôs em prática “a boa nova”.  Não é novidade que alguns processos teóricos não se orientam a partir de premissas originais.

            Voltando à vaca fria, desta feita assassinada pela insustentabilidade do capitalismo, citamos Bauman, para quem “o capitalismo avança com o que se pode chamar de destruição criativa”.  Mais correto, impossível. Fala-se no fim do capitalismo, como se fosse um ente capaz de se mover, de ter vida própria, tal a autonomia do sistema financeiro e a nossa subordinação ao regulamento disciplinador das relações. Enquanto nos debatemos em busca de uma saída, temos a sensação de que tentamos domar um dragão desconhecido. Afaste-se um passo, preserve o distanciamento crítico e verá que tentamos culpar o veículo por não estarmos no caminho certo.

            O capitalismo tem as qualidades que permitem a sua continuidade e não é culpado de nada. A decrépita e insustentável visão de que o espaço, assim como a expansão material, não tem limites, transformou as coisas em “commodities” e está transformando as pessoas em coisas, em busca de acelerar o processo e obter ainda mais lucros. É uma espécie de neo-escravatura, a ausência da convivência, da democracia, da necessidade das relações. Assim, o sistema financeiro globalizou o controle através das bolsas internacionais, não importando quem produz, porque o sistema é dono do balcão e todas as mercadorias são negociadas ali, segundo “a liberdade do mercado”, em detrimento das nações, das leis, das pessoas e dos objetivos de tudo isso.

            Portanto, podemos adotar qualquer sistema que ele não terá futuro, enquanto não pensarmos grande o suficiente para contemplarmos a existência e as relações do outro como essenciais. Por outro lado, em um cenário futuro de convivência saudável, – sim, sou otimista - onde se contemplam as necessidades do homem e suas relações originais, o planejamento tem objetivos claros e sustentáveis e o mercado é submetido à regulamentação, todos os sistemas tenderão a bom resultados.

            Neste ponto cabe uma reflexão. Quando desenvolvemos um pensamento crítico sobre qualquer setor da atividade, tendemos a delimitar a área de influência, como se aquela parte pudesse ser considerada de forma autônoma, ignorando assim a interdependência necessária à organicidade e sua sustentabilidade. Aliás, como tudo está ligado, cabe aqui uma complementação que entendemos fazer parte do rol das premissas originais: só com a plena assimilação e prática do conceito de sustentabilidade, planejaremos uma vivência efetivamente civilizadora, pois superaremos essa fase de construção material, passaremos a desfrutar da casa pronta e, aí sim, empreenderemos a grande obra em busca de equalizar as nossas relações. Superada a fase das coisas, alcançaremos o terreno dos valores, da vida, do sagrado.

            Lógico, há um caminho, teremos que fazer algumas lições de casa, aprender a ver, sentir e ter a consciência de que é isso que precisa ser entendido e atendido. É tudo humanamente compreensível, mas poderíamos ser melhores há mais tempo. Bertrand Russel disse algo como “o homem é um animal brigão e seu progresso tem sido muito lento”. E, mais uma vez, a lucidez de Bauman: “Pierre Bourdieu ressaltou que o número de personalidades do cenário político que podem compreender e articular expectativas e demandas está encolhendo. Precisamos aumentá-lo, e isso só pode ser feito apresentando problemas e necessidades.”  Considerem o problema apresentado.

                                                                                             

 

 

 

                                   Uma experiência mítica

 

 

            Quem foi ao Teatro do Sesc-BM assistir ao trabalho do Coletivo Teatral Sala Preta, intitulado Devir, na verdade participou de uma experiência ritualística que, do nosso ponto de vista, processou um ensaio sensorial em busca de pinçar vivências ancestrais que, experimentadas hoje, possam produzir elementos comparativos que possibilitem, através do resgate da memória, a autocrítica capaz de nos ajudar na equalização das relações contemporâneas.

            Um tanto filosófico, porém, justamente quando o ritual foi iluminado apenas pelo fogo de uma tocha, o teatro buscou, através do exercício dramático/sensorial, iluminar novos espaços, frutos dos signos que precipitaram das interações gestuais, já que o espetáculo não produziu falas, apesar da eloqüência emanada de uma espécie de espelho, onde nos foi possível visitar a nossa ancestralidade.

            Uma experiência pertinente aos propósitos do Coletivo Teatral Sala Preta, que parece buscar com ansiedade um devir como regeneração das relações humanas. A densidade da proposta fez com que o público fosse levado para o palco, todas as pessoas de uma só vez. Ocuparam cadeiras “em torno” do centro do palco onde a ação se insinuava para que interagissem com o trabalho minimalista e rico em signos sutis.

            A face esotérica ficou por conta das resultantes advindas das evocações transcendentais, como uma busca dos sentidos originais. Se por uma lado esse exercício parece nos distanciar dos objetivos imediatos, por outro pode muito bem acenar com ações futuras, com performances que nos permitam flagrar o quanto estamos fora da fila em nossa marcha civilizadora.  Por sua vez, o Devir será sempre a resultante da nossa faculdade de promover vivências produtivas, afinadas com a experiência antropológica que nos coube até aqui.

            Os quatro atores dialogaram com as entranhas antropológicas, com os mitos e a alteridade. Melhor que o trabalho e a eventual sinestesia alcançada, é a expectativa aberta pelo Sala Preta. O grupo avança pelo caminho teatral, aprofunda-se na pesquisa cênica, nas infinitas possibilidades performáticas dos atores, nos múltiplos recursos, no teor dramático e, certamente, encontrará um caminho novo, que facilite a transposição dos conteúdos atualizados, amparados pela estética apropriada. Por ora, o público teve que engolir seco sob a luz que se abriu em resistência, para se reencontrar e colocar os aplausos no papel, com certeza, produzindo os ruídos que cada um ali presente entendeu necessário para complementar o sentido da proposta.

            Podemos expor, cartesianamente, que o futuro derivará de um processo continuo de experiências sensoriais, que forem capazes de produzir os mitos nos quais ancoramos a nossa crença. Como não é simples, uma vez que se multiplicam as re-significações dos valores nas relações desse novo mundo, só mesmo o rito da experimentação nos mostrará o caminho.   

 

                        Criar é transcender

 

Nossa maior riqueza é a cultura. O maior artífice dessa riqueza é o ser brasileiro, o jeito caipira a contar e cantar os valores das terras, das águas, dos animais, os pássaros, as matas, a vivência no meio disso tudo, os caminhos, o transporte à cavalo, os romances sertanejos.

O Brasil tem o produto maior que é a capacidade de convivência, a criatividade, o jeito amigo e descontraído de estar com todos, inclusive com gente de qualquer parte do mundo. Esse é o traço cultural mais característico do brasileiro, a face talvez mais apreciada pelos não brasileiros e, por isso, há o desejo do “mercado” em transformar esses raros e caros valores em produtos.

Desde que sustentável, esse desejo é mais que bem-vindo, mas, como colocar esse produto na prateleira?  Isso é outro papo.

O “mercado”, com o sua premissa capitalista, estimula a ambição, fortalecendo esse ingrediente prejudicial ao desenvolvimento humano e sobretudo danoso ao contexto cultural. Os imigrantes que se aculturaram por aqui devem usufruir com especial sabor os valores originais da nossa cultura, mas estamos todos subordinados ao “sistema”.  Diante da hegemonia da ambição ditada pelo “mercado” os demais qualificativos humanos acabam sucumbindo juntamente com valores essenciais que o homem precisa para viabilizar o seu caminho para o viver e o conviver, em busca do verdadeiro desenvolvimento, que é o desenvolvimento humano.

Enquanto submete a sua curta vida no planeta Terra aos apetrechos que consegue manufaturar, ao invés de tê-los como contingência, o Homem abandona o principal sentido de sua existência que é o cultivo do Sagrado como manifestação da Vida. Acaba nem se perguntando quem é, qual o seu papel por aqui, de onde vem e para onde vai. Ainda no limiar do processo de superação de suas mazelas existenciais, perde-se curioso entre os valores materiais apresentados pelo “mercado” que, por sua vez, busca eficiência ao entretê-lo com consumidor de quinquilharias, enquanto desvirtua o original e elevado sentido da vida. Assim, quando falamos cultura, buscamos contemplar na grandeza do tema, esse sentido maior que é descortinar o caminho da superação em busca da redenção social através da informação e da plena e transcendente experiência da criação artística.

 

Todas as cidades são históricas

 

             A concepção de cultura inclui considerar que não há cidade que não seja histórica, pois, se é uma cidade, lá nascem pessoas que dividem o espaço de vivência, suprem suas necessidades, ajustam suas interdependências e sistematizam, em seu ambiente, através de seus próprios meios, um processo que busca viabilizar a continuidade daquele grupo. Esse processo dinâmico encerra o processo cultural daquela gente.        Tudo ali faz parte da história de todos dali e, ao mesmo tempo, é uma experiência inédita da aventura humana sobre a face da terra. É mais que desejável, é imperioso, que tal experiência seja do conhecimento de todos, por isso deve ser preservada e estudada.

             Memória é um conjunto de associações mentais oriundas das relações que temos das crenças, fenômenos, imagens e fatos históricos. Com os conteúdos do nosso presente, concebemos o passado, entendemos a permanência do tempo e nos identificamos como agentes de nosso processo cultural. Então nos valorizamos, valorizamos o outro e buscamos o caminho do nosso desenvolvimento rumo a plenitude estampada pelo conhecimento em nossas convicções.

             Um indivíduo que se vê tolhido de suas pegadas históricas, seja porque ele se perdeu ou elas foram apagadas, tende a ignorar a importância de sua origem e banalizar a sua existência. Com a ausência de referências, não se “considera” e não é “considerado”, erra pela vida e, como um herege, zomba da razão e da honra, constrói castelos de areia, de dinheiro ou de quinquilharias e nem mesmo saberá se segue algum caminho civilizador, pois não pode saber para onde vai quem não sabe de onde veio.

             Museu

             Aí está a importância do museu. É o lugar onde preservamos os objetos que ilustram nossa memória, para que possamos iluminar os nossos próximos passos. Temos capacidade de aprender com os erros e aperfeiçoar a nossa vivência com o nosso meio e as relações sociais, econômicas e políticas com o mundo. Isto é, conhecer melhor as coisas e suas causas, para fazê-las melhor.

             Uma cidade como Volta Redonda que nasceu a partir de uma experiência nova, vem sendo objeto de análises dos mais distintos interesses, sobretudo das ciências humanas e sociais. Mais que a necessidade de “um museu” para guardar a memória da cidade, ela mesmo, em si, é um museu que vem exigindo ser protegida e preservada como uma das mais instigantes experiências humanas que conhecemos. Uma cidade de história ímpar.

            Chamada de “um laboratório humano” por diversas cabeças pensantes das décadas anteriores, foi amparada e contemplada em suas necessidades, para que fosse viabilizada a vivência no entorno desse grandioso projeto, que foi o “Plano Siderúrgico”. Antes de tudo, um plano de desenvolvimento, mas também de ousadia, uma experiência rica em termos de cidade, seja pela concepção urbana, pela premissa social, pela perspectiva econômica e tantos outros ingredientes que aqui serviram de matéria prima para a consecução de seus melhores objetivos.

            Pela sua história e os valores que logrou construir, pelo planejamento urbano hierarquizado, as instalações e compromissos que suscitou dos entes Federal e Estadual, em nome de promover a assertiva dessa experiência, Volta Redonda é única. Seu valor histórico difere daquele concebido pelas “cidades históricas”, que conhecemos várias em várias partes do mundo. Ela é única. É um museu aberto a ser visitado por todo o mundo, para que se conheça esse extraordinário laboratório que deu certo e aprender com ele desde o planejamento, que contemplou o social, o ambiental e o econômico, de forma a amparar o desenvolvimento do homem que aqui viveria, trabalharia, criaria a sua família e plantaria o futuro para os seus filhos. 

 

                                                                              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                       

 

            Privatização do sonho

 

 

Na verdade, a CSN foi entregue sem que soubessem o que estavam vendendo. Uma campanha prévia da grande imprensa, em poucos meses transformou a empresa num “monte de ferro velho que, se ninguém comprasse, teria que ser fechada, em função dos gigantescos prejuízos...”

            Para os trabalhadores da empresa, tudo isso parecia uma insanidade. Mas, além de preparar a opinião pública, os amealhadores do patrimônio público, trataram de preparar também a comunidade local. Mandaram para cá um sujeito para presidir a CSN e ele tratou de inverter o jogo diante sindicato dos metalúrgicos que sempre defendeu a empresa e os trabalhadores.

Por aqui foi criado um novo aglomerado, onde o próprio presidente fazia suas pregações, insistindo com o testemunho pessoal de quem queria defender os trabalhadores, suas famílias, a empresa e a cidade, com um discurso de sabor amigo, mas passou a demitir todos os que insistiam em argumentar. Logo todos estavam a favor da privatização. Não se ouvia uma voz contrária. “Isso aqui é uma empresa falida, um monte de ferro velho, mas nós podemos ganhar dinheiro com ela, comprando as ações no processo de privatização...”.

Esse misto de medo e submissão tinha contrapontos na cidade, como algumas instituições respeitadas, órgãos da imprensa e pessoas que levantaram até ações judiciais por práticas lesivas ao patrimônio e ao meio ambiente, que existiam a partir do Congresso Nacional, contra esse “bom homem” que veio salvar a cidade. Afinal, ele não era inocente. Mas o projeto de entrega incondicional da CSN era o desejo daquele governo. Os ministros apareciam durante os programas jornalísticos, para dizer que precisavam vender, para resolver os problemas da educação e da saúde no país. Criaram um jornal diário em Volta Redonda que já nasceu com hegemonia na comunicação regional, para dar conta de esconder as verdades e impor as mentiras, porque esse era um projeto que não poderia falhar. E não falhou. A mentira e o medo venceram, capitaneados pela força do dinheiro, a prepotência, a arrogância e a covardia.  

A lembrança de todo aquele processo hoje nos revela a dimensão dos desmandos de um governo distante do povo. Cento e vinte dias após a privatização, quando ainda não havia tempo para que os novos donos conhecessem a empresa inteira, o mesmo espiroqueta ainda presidente, já proclamava que a CSN era a maior siderúrgica integrada do mundo. – Um descalabro, um acinte, um escândalo.

Para nós, empregados da empresa, tudo aquilo parecia um pesadelo que teria que passar, para que a normalidade voltasse a reinar. Mas desse pesadelo nem os trabalhadores, nem a cidade e a região e nem o país acordarão mais. Quase um ano depois, os novos controladores contavam que a todo momento tomavam posse de algo mais que nem tinham idéia quando compraram apenas uma empresa, afinal, a grande estatal era como um polvo, ao deter mineração em vários estados, fábricas de subprodutos em outras localidades, toda a logística de dimensão continental, fazendas diversas, glebas em vários estados onde a empresa mantinha unidades,  imóveis em diversas capitais e muitas participações em unidades de saúde, educacionais, sociais, religiosas, esportivas, etc, etc, que a empresa fomentou para viabilizar o desenvolvimento de tantas comunidades, com o objetivo de sustentar o próprio projeto estatal de siderurgia ao longo de seu vitorioso curso. Nesse processo, construído com o suor dos primeiros industriários brasileiros, construiu-se também o “know how” brasileiro na fabricação do aço, em projetos industriais, na introdução do processo construtivo em aço e outros, tudo isso através da própria CSN e de suas subsidiárias, empresas especializadas, que prestavam seus serviços para o Brasil e diversos outros países. 

Os que venderam a CSN, não venderam apenas os equipamentos de fabricação de aço instalados em Volta Redonda, venderam também o sonho da industrialização brasileira de Macedo Soares, a instituição do “novo trabalhador”, a primeira grande indústria do país, o vetor do desenvolvimento do parque industrial brasileiro, a usina Presidente Vargas e valores que sucumbiram como a história, a memória, o berço de uma nova cultura, o orgulho nacional, um imensurável patrimônio imaterial.

 

 

 

Comissão da Verdade

  

                O Brasil recebeu este mês, durante o carnaval uma notícia que equivale a um substantivo elogio e uma das mais dignas homenagens que uma Nação pode almejar, ao ter a sua participação reconhecida como positiva e apoiada por cidadãos dos 16 países consultados por uma pesquisa feita pela BBC, de Londres. Está entre os países mais populares e o que mais ganhou espaço de influência no último ano.  Isso significa ter peso nos acordos internacionais que objetivam fomentar a paz, proteger os povos, as democracias e combater a miséria.  Isso não é pouco, ou melhor, isso é tudo, ainda mais neste momento em que uma grave crise grassa pelos grandes centros econômicos mundiais, aniquilando ainda mais os países em desenvolvimento que, através dos tempos, sobrevivem dependentes dos grandes, como satélites subordinados. 

                Hoje o Brasil está conquistando a 6ª. posição econômica, respirando democracia, sem dívida externa, combatendo frontalmente a miséria e a fome, exportando  modelo de desenvolvimento sustentável, de qualidade de vida e otimismo. Isso agora, porque o povo brasileiro soube fazer o dever de casa, tem capacidade de superação, competência e disposição para sair de crises, voltou a sonhar, redesenhou um Brasil novo e segue construindo o seu sonho.

                Todo esse processo teve início em 1985, quando os militares golpistas não agüentando mais a imposição pela força, foram vencidos, mesmo em um jogo de cartas marcadas inventado por eles próprios, com o objetivo de continuarem impondo a mentira e submetendo o povo ao arrocho, à miséria e ao silêncio. Quando os golpistas derrubaram a democracia no Brasil, em 1964, a dívida externa era de três bilhões de dólares, quando foram vencidos, em 1985, a dívida estava em noventa bilhões de dólares. Quem se beneficiou com esse volume de endividamento? O povo brasileiro certamente não foi, mesmo assim pagou a conta.

                Durante os anos de chumbo, como ficou conhecido aquele período obscuro da história, fomos submetidos a todo tipo de arbitrariedade, arrogância, violência, desmandos e mentiras. Tal como na Alemanha nazista, a qualquer hora do dia ou da noite, um militar de qualquer patente, em trajes civis ou não, sem qualquer documento em mãos, batia na porta de qualquer cidadão, invadia a casa, levava o que queria, prendia quem quisesse, o tempo que bem entendesse e o máximo que a família podia fazer era rezar. Os direitos estavam suspensos e a justiça sem função. Estava em vigência o AI-05, ato institucional que suspendeu os direitos e garantias individuais, ou seja, todo cidadão estava à disposição do poder central, que funcionava como o capataz dos interesses econômicos internacionais.

                Em um cenário como esse não é difícil imaginar os horrores e misérias que se promoveram sob as baionetas da covardia. Sindicatos, associações e demais organizações foram banidos, oprimidos e controlados, seus representantes e líderes presos, porque era proibida qualquer forma de organização. Aqueles que manifestavam as aspirações de desenvolvimento e liberdade, eram presos e admoestados de forma insidiosa. Os que ousavam se organizar politicamente em grupos de resistência teórico ou prático, para responder aos ditadores em seu próprio idioma, a força, eram presos, torturados e assassinados.

                Aqui em nossa Volta Redonda e região, com uma grande massa de trabalhadores e um sindicato representativo, logo o município foi considerado “área de segurança nacional”, o que permitia ainda mais arbitrariedades, como se houvesse direito em outros municípios. A unidade militar mais próxima, o antigo 1º BIB-Batalhão de Infantaria Blindada, com sede em Barra Mansa, era o local para onde foram levados todos os que se manifestavam contra  o regime ditatorial. Trabalhadores, professores, políticos, estudantes, artistas, religiosos, todos que participaram de qualquer manifestação pública que não fosse “cívica”, isto é, oficialmente programada pelas instituições permitidas de funcionar, como escolas, empresas, prefeituras e outras, foram taxados como subversivos, perseguidos, denunciados, presos e marcados como pessoas “perigosas”, evitadas em todos os ambientes, mesmo os particulares e privados, pois o medo era cultivado por todos.   

                Os mais novos devem dar atenção especial a essa mancha histórica que seus pais experimentaram, no sentido de cultivarem a ordem e o progresso para todos, nesse estado democrático que ora vivenciam e que vem sendo construído com trabalho e paixão por quem conhece a indignidade e os horrores de uma sociedade sem lei.

                Agora que a casa está razoavelmente arrumada e seu brilho já chama a atenção de toda a comunidade internacional, precisamos tirar aquela poeira que se manteve encalacrada no canto mais escondido, para restabelecermos a verdade, aperfeiçoarmos a nossa tenra democracia e escancararmos as portas para o desenvolvimento do país que sonhamos. Para isso, o Governo Dilma está criando a Comissão da Verdade, uma forma institucional, legal e pública de passar a limpo esses desmandos da ditadura que ainda não foram eliminados por nenhum ato, apenas deixados de lado, o que faz pesar sobre os ombros da Nação uma carga história mal resolvida. Aliás, o Brasil é o único país da nossa América que ainda não apagou esse borrão de seu passado recente. Nesse dia 1º de abril de 2011 contamos 47 anos que esse descalabro se impôs na vida brasileira e durante 21 anos - ainda bem que não deixamos sobreviver à maioridade – pois foi um tempo perdido. Atrasou a nossa caminhada para a consolidação da democracia, impedindo as organizações sociais, a discussão e a participação popular.             

                Alguém quer castigar aqueles malfeitores, aqueles que torturaram e mataram? Acho que ninguém quer impor mais castigos aos que já foram derrotados e desmoralizados pela própria incompetência, ausência de respeito e pelas mentiras trazidas à luz e desmascaradas após o fim do arbítrio e da escuridão. Mas a Comissão da Verdade será, tão somente, a eliminação de fato, simbólica, mesmo porque a maioria daqueles carrascos, os que ainda vivem, estão em idade muito avançada. Assim, ao comemorarmos 26 anos do fim da ditadura, sentimos que o tempo já lavou muita coisa, o Estado vem reconhecendo a amparando os prejudicados, mas ainda há muitas famílias sem notícias de seus entes desaparecidos. Isso pesa. Um país com projetos ousados como o nosso não pode esconder essa poeira embaixo do tapete. Por isso falta identificar “o culpado”, seja ele uma pessoa, um grupo ou uma organização, decretar a sua execração e, pronto, teremos a extrema-unção, o sepultamento, saltaremos esse obstáculo que ainda vige no caminho desse grande país de inequívoca vocação para a liberdade.  Passar a borracha sobre esse erro no nosso caderno de história é uma necessidade urgente, para que o Brasil resgate em definitivo a sua altivez. 

 

            Educação ou Educação

 

            Desde crianças ouvimos promessas dos políticos de atender as necessidades da população e promover o desenvolvimento. A educação e a saúde são prioridades em todos os discursos, planos e propostas. Os mandatos se sucedem, os partidos formam frentes, a modernidade revisa os discursos, novas tecnologias redesenham a interdependência entre os povos, o século mudou e, justamente as duas maiores necessidades permanecem estagnadas, carentes, uma presa na parede dependendo de um giz e a outra do estetoscópio de plantão. – Que tristeza!

 

            Tudo isso porque nossos administradores públicos não conseguem evoluir da fase pedreiro. Ficam felizes em dizer que construíram tantas escolas, tantos postos de saúde, tantos quilômetros de asfalto, tantas pedras e tijolos mais. E a ficha não cai. Na campanha seguinte lá está ele relembrando e martelando seus concretos.

 

            Nem tudo é escuridão. Comunidades mais atentas questionam o sentido do verdadeiro desenvolvimento e movem-se experimentando investimentos nas pessoas. Mesmo não sendo uma política pública, constitui um traço benigno de intervenção na difícil realidade. O caso mais característico é o investimento na formação musical em Volta Redonda, que firma-se como uma tradição de qualidade que já conta décadas, desde, desde o trabalho determinado do Maestro Franklin de Carvalho Júnior. O processo é lento e agora, cerca de 40 anos depois, já não parece um absurdo para ninguém o investimento em massa em cultura, envolvendo milhares de crianças.

 

            Iniciativa semelhante ocorreu em Barra Mansa, onde a principal expressão é uma orquestra sinfônica que vem ajudando a mudar o perfil cultural do município, e o ensino da música já envolve todos os alunos da rede municipal de educação. E o prefeito parece querer mais, quando repete que desenvolvimento é amparar e desenvolver as pessoas.

 

            São exemplos auspiciosos, apesar de avulsos. O desenvolvimento exige ambiência apropriada com todos os caminhos abertos para o patamar superior. Requer política pública orientadora de um processo educativo e sistemático. Precisa vivenciar, por as teorias em prática, reconhecer o exemplo em cada professor, pai, mãe, cada adulto, dirigente ou líder, em cada homem público, em cada cidadão. E, com certeza, o vetor dessa transformação será a educação.

 

            Então, quando refletimos sobre o estado atual da educação, somos forçados a entender que antes de ser vetor de um novo desenvolvimento, a educação precisa ser promovida para alcançar o alto da pirâmide social, de onde caiu numa esquina qualquer do nosso passado autoritário. O caminho é longo mas exige que seja vencido papo-a-papo, passo-a-passo, mesmo porque não há alternativas.   

           

 

 

 

 

                        Mudança de nome de rua em VR

 

        O projeto de lei a ser votado pela Câmara de Volta Redonda, busca disciplinar a renomeação de ruas com base nos transtornos institucionais causados a moradores e, principalmente ao comércio estabelecido na rua que ostenta o nome de um novo homenageado. O projeto é mais que desejável. Além dos transtornos e prejuízos conexos a serem contabilizados, o projeto vai resguardar a cidade de um dano muito maior, imensurável e imaterial, porque vai preservar valores históricos dos moradores e, sobretudo, dos volta-redondenses.

        Quando falamos valores, inscrevemos no memorial histórico toda a cultura coletiva contida de idéias, costumes, pessoas, lutas e tristezas, festas, vitórias e alegrias, nomes, lembranças, espaços – o perfil urbano, cores, fatos, nomes, emoções e tantos outros valores do imaginário com os quais construímos nossa identidade. A memória da emoção ocorre ante os cenários preservados que, quando revisitados constituem o objeto do desejo, do amor pela cidade, o motivo de gostar e poder dizer que é sua.

        O projeto deveria ir além, poderia resgatar a originalidade da inteligente numeração das ruas dos bairros construídos pela CSN e preservar suas qualificadas características urbanas. Seria um bom começo de preservação, de respeito com o povo e consequentemente, de consideração pela sua história. Qualquer mudança, sem considerar o todo, carece de espírito público, de consciência histórica e visão holística.

  

Sustentabilidade é a pauta

 

 

         Mesmo não acreditando que os “mercados globais” ou as “empresas responsáveis” ou os “ambientes corporativos atualizados” estejam acenando com a sustentabilidade para a manutenção da vida e a preservação do planeta, devemos acatar que, por enquanto, somente nesses ambientes os fatos podem reverberar e ganhar o mundo. As grandes corporações são eficientes e fazem valer as vontades das pessoas que as controlam. Elas são as “donas” dos maiores negócios do mundo e agora procuram também uma saída possível, para evitar que tudo se perca.

         Portanto, não é pela manutenção das futuras gerações, para salvar o planeta, a natureza ou pelas criancinhas que se investe na mudança de atitude, mas para salvar a própria pele. A velha e paradoxal cartilha ensina a busca do lucro a qualquer custo, mesmo em detrimento da sociedade e do meio ambiente, e assim foi feito, como se o mercado pudesse ter vigência permanente num cenário cada dia mais danoso aos seus próprios clientes. Até aqui as mazelas oriundas desse modelo só se agravaram e o "modelo não precisou ver", porque estava tudo bem com "ele", apenas o mundo se danava. Entre outras inconseqüências, a ganância cega. O ponto de equilíbrio foi ultrapassado, as rupturas se ampliam cada vez mais rapidamente e já comprometem o modelo. Agora todos devemos nos empenhar no processo de redenção.

Sustentabilidade é um banco de três pernas - social, ambiental e econômica - e só se manterá estável com o equilíbrio entre elas. Sem esse reconhecimento a relação do homem com a vida, com o meio, será conflituosa, insustentável.

         Não é difícil constatar que dependemos do equilíbrio desse banco e ele só se sustentará se as três pernas forem iguais. Enquanto prevalecer a hegemonia da "perna econômica", não haverá sustentabilidade.  Menos difícil ainda é perceber que das três, duas têm a primazia pela originalidade, são condições naturais, e apenas uma perna, a econômica, foi privilegiada, valorizada, inflada, contingência que trouxe-nos a uma encruzilhada incerta, no ermo e obscuro deserto de nossos valores. Ficou feio para o homem moderno constatar que ele apenas subiu no bonde do capitalismo e acelerou tecnologicamente cada vez mais, como um doidivanas rumo ao desconhecido.

         Felizmente estamos em processo de mudança. A Economista Evolucionária Hazel Henderson, constata que  “ ... cientistas, incluindo o físico Prof. Dr. Hans Peter Durr, do famoso Instituto Max Planck da Alemanha, concordam que economia não é uma ciência. Durr diz que “a economia não é nem mesmo uma ciência ruim porque os seus preceitos centrais são incorretos”.

         É essencial repensar nossos valores. Precisamos reconhecer no outro a saída para vida, para viabilizar o futuro. Já estamos bem grandinhos e precisamos parar de brincar de produzir o lucro pelo lucro, de gastar material didático. Já sabemos que o nosso trabalho só faz sentido se for para fomentar a segurança da terra, da vida, do bem, ou seja, de tudo que dependemos, mas fingimos ignorar. E olha que é velha a história da galinha dos ovos de ouro!

 

         Uma dimensão imaterial

 

         De geração em geração foi sedimentada essa cultura contida de valores agora questionados por sua impermanência. O processo de mudança exige o intensivo exercício da experimentação em busca do novo caminho. Mais do que reconsiderações em torno do patrimônio natural, do consumo, da energia, recursos materiais e sistemas que viabilizem as relações de produção e desenvolvimento, precisamos trabalhar a mudança desse novo homem que vivenciará um meio onde Deus, o amor, a compaixão e a espiritualidade serão resgatados como valores imanentes à vida. Será um estado de ser que redimensionará nossos sentidos. Teremos que rever nossas convicções e crenças e buscar novas posturas filosófica e religiosa ao construirmos esse ainda desconhecido ambiente.  

 

         A pauta é sustentabilidade e somos instados a rever os procedimentos que compõem a infra-estrutura do nosso processo civilizador. Defrontamo-nos com a síntese dialética brechtiana - “Exatamente porque as coisas estão como estão, elas assim não continuarão” - e então experimentaremos pôr em prática novas formas de ver e fazer. Vamos a um exemplo-síntese: Podemos garantir que o lixo, tal como o entendemos, não existirá, pois não há mais como jogar algo fora. Primeiro porque não existe mais o lugar chamado fora. O planeta é só este e não é sustentável designar um pedaço dele para se colocar resíduos indesejáveis para sempre, se são oriundos de matérias-primas originárias aqui do nosso planeta. Tudo é resíduo a ser aproveitado, útil e necessário, caso contrário, a atividade que o originou será considerada insustentável e, portanto, indesejável. 

 

 

O fator tempo

 

 

         As tecnologias são criadas para vencermos o tempo e criarmos o máximo de coisas e obtermos mais lucro. Para isso outras tecnologias dão conta de incentivar o consumo e fomentar os conceitos de inserção e participação em estilos de vida inspiradores, de forma que o capital circule cada vez mais rapidamente, com o objetivo de obtermos os melhores resultados, os lucros. Bens pouco duráveis, embalagens que embaçam a vigilância sobre o consumo responsável e materiais descartáveis são só alguns exemplos. Como essa lógica é insustentável, terá que ficar como uma lição histórica de nossa maneira afoita de investir na esperteza e no egoísmo humanos, experiência que nos permitirá contemplar também o fator tempo na equação da sustentabilidade.

         À guisa de exercício projetemos além da parcimônia no uso da água: podemos ter a percepção da importância e conteúdo da cidadania de cada criança que nascer,  o planejamento de quantos seremos e dos ensaios que promoverão o desenvolvimento integrado para aperfeiçoar a plenitude e a segurança da vida na terra. Enfim, será uma grande mudança, mas aos poucos, apesar da consciência, ainda não nos exercitamos o bastante para assumir esse homem de bem que precisamos ser.

         Por ora pode parece estranha uma colocação como essa, mas não há dúvida que estaremos construindo o paraíso que dormita em nosso inconsciente. O Sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, deu um belo recado nesse sentido, quando utilizou fábulas para se fazer entender e exortar a sociedade à percepção de que cada um é parte de um todo. Apesar da distância sócio-cultural em que nos encontramos, perdidos numa via secundária da civilização, de tal forma que as referências para as mudanças freqüentem ainda o imaginário, na verdade estamos constatando o nosso maior e mais sério erro. Alguns dirão que deveríamos mesmo passar por esse caminho, que ele faz parte do aprendizado, já que “evoluímos”, abandonamos as formas primitivas e partimos para uma vida mais segura. Tudo bem, mas não devíamos ter esquecido as lições aprendidas com a primeira professora, a natureza. Agora precisamos abandonar a arrogância e nos submeter com humildade ao processo de reeducação e entender o todo, para que haja futuro.

        

         Finalmente, lembremo-nos de que a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada em 1992, no Rio de Janeiro, não apenas deixou tudo isso bem claro, como concluiu, através da decisão de 179 países, que o maior compromisso da era moderna é repensar a nossa vivência, suas circunstâncias e conseqüências, através de um processo sistêmico e com metodologia própria, a chamada Agenda 21. Quase duas décadas depois pouco foi feito. Nosso sistema produtivo dá sinais de saturação. Os valores humanos estão cada vez mais degenerados. Num primeiro momento o patrimônio natural ganha relevo, como se fosse a causa, a salvação. O mundo ainda perdido olha para o nosso grande e belo país. Sensações extemporâneas de regozijo e medo entram em cena ... “que o nosso futuro espelhe essa grandeza”.

 

                                     

1º de abril...!?

     O Delegado Protógenes Queiroz teve o seu depoimento na CPI dos Grampos, marcado para o dia 1º de abril. A CPI conta com duas forças poderosas - a revista Veja e o STF, mas até a Associação dos Delegados Federais já se manifestou contra as investigações das atividades do Delegado Protógenes, além de todas as manifestações públicas das demais autoridades e a adesão popular, especialmente dos estudantes. 

     Essa CPI não está conseguindo ser feliz na consecução de seu objetivo e ainda marca o depoimento do delegado para o dia 1º de abril... Talvez seja esse o mais autêntico manifesto de intenção dessa CPI.

 

 

 

            Todo mundo já pode

saber de tudo

 

            A revista Caros Amigos é um trabalho de fôlego e credibilidade e, por que não dizer, de coragem. Vem esclarecendo com profundidade os diversos temas nacionais, sobretudo através das ousadas entrevistas que publica. Após ler as entrevistas do Delegado Protógenes e do Físico Bautista Vidal, entre outras, não há como não corrigirmos a nossa posição diante do futuro imediato do país.

A Revista Caros Amigos é uma publicação indispensável para quem precisa saber realmente o que está acontecendo. Infelizmente, não é nada do que a chamada grande mídia diária publica.

Se bem que em matéria de informação alternativa, ou seja, fora do controle do poder (não do Governo), temos muitas publicações, como Carta Maior, Brasil de Fato, Tribuna da Imprensa, Vermelho, além de centenas de blogs como do Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif. Tudo de graça, na internet. Ou seja, só os desinteressados não tem informações para a tomada de posição.

 

 

 

- Adeus, Tulio

             Faleceu dia 11 de janeiro de 2009, o pintor fluminense Tulio Cordeiro. Após sentir-se mal, foi atendido pelo serviço de saúde em São Pedro da Serra, levado para um hospital em Friburgo, porém, horas de tratamento intensivo não foram suficientes para estancar uma hemorragia estomacal. Foi sepultado em São Pedro onde mantinha um ateliê. Aos 59 anos Tulio estava na ativa e participando de eventos. Ainda circula pela Europa uma exposição de artistas brasileiros que inclui seus trabalhos. Instalada em setembro na embaixada brasileira em Londres, exibia o próprio Tulio em um dos cartazes.

            Morava no Rio de Janeiro com a família. Sua trajetória artística passa por muitos cenários e situações distintas. Jovem ainda Tulio fez parte do Movimento Beatnick, precursor do Movimento Hippie, grupo que ocupou com grande rumor o casarão da rua Riachuelo, na Lapa, Rio, no início dos anos 60. Nessa época sua família participou de negócios em Volta Redonda e ele ficou pela cidade até meados dos anos 70. Depois de estadas no interior, com índios e viagens pela América do Sul, foi para a França, vivenciou o universo artístico da Europa em alguns países durante alguns anos, foi para a Argentina, onde viveu mais alguns anos e voltou definitivamente para o Brasil, foi para Búzios, instalou uma galeria de arte. Há cerca de 20 anos passou a morar no Rio de Janeiro, mais precisamente em Santa Teresa. Mantinha um ateliê em São Pedro da Serra, na região serrana, para onde viajava constantemente.

            Túlio Cordeiro tem suas obras em vários países, em galerias e com colecionadores. É recorrente a abdicação de seu impressionismo no realismo fantástico. É parte de sua instabilidade. Não se isentava da realidade para pintar, quase sempre deixou vazar para a sua obra os dissabores de sua interface com mundo real. Em função dessa inconstância, ora seus quadros revelam a alma do artista, seu largo conteúdo cultural e convicções filosóficas e ora dialogam com o momento, entregue ao arrebatamento ocasional de um tema, emoção ou ocorrência. É aqui que ele mais se aborrecia, pois estava sempre a construir uma resposta pertinente e quando ela se apresentava, a pergunta parecia desaparecer.

Tanto a tentativa de abstrair-se para se isentar, como a de integrar-se no sentido de enfrentar, causam transtornos ao processo de criação. Ao artista é necessário tão somente o exercício periódico do distanciamento, para que formule a sua postura crítica e fomente o seu discernimento criador. Em Túlio parece que a técnica utilizada era um componente que ajudava nesse mister. Enquanto utilizava o bico de pena mantinha-se mais despojado, mais livre.

Principalmente nas duas últimas décadas pintou muito do ambiente noturno, com os personagens típicos dos bares, balcões e salões de gafieiras. Um desses trabalhos é o painel ao longo da escadaria da Gafieira Estudantina, no Rio, quando da reinauguração comemorativa dos 70 anos da casa.

            Artista plástico por vocação, trabalhou com artesanato antes de pegar o pincel ainda na década de 60. Desenhava em guardanapos em mesas de bares, enchia de cruzes e sepulturas todo espaço em branco que via pela frente. Época em que escrevia a coluna Fossário no antigo jornal Presença, em Volta Redonda, enquanto participava de um grupo que utilizava recursos diversificados como teatro, música, poesia, jornalismo e outros, com o intuito de amparar o ânimo existencial.

Mesmo cultivando seus longos cabelos pretos foi aos poucos emergindo de seu status contracultural, deixando o rosto melhor visível ao olhar mais para o horizonte. Foi quando começou a discutir a anatomia humana nos desenhos. Fazia críticas sociais a partir de cenas cujos personagens brincavam com as emoções. Traços rígidos e bem marcados, muitas vezes rabiscados repetidamente enquanto corrigiam, alteravam e construíam a performance do fato a desejado.

Seu relacionamento com os demais atores do mundo artístico sempre teve um viés conflituoso, face a uma clara impaciência para negociar que se misturava com intransigência. Por outro lado, gostava de estabelecer relacionamentos com muita cumplicidade. Sonhador dedicado, sentia toda a incompreensão sociocultural que pesava sobre os que não fazem o jogo do mercado. Dava de ombros e se neutralizava com forte dose de blasé, como se fosse só isso, como se fosse simples, e reagia inconscientemente com um tanto de indisciplina. Era capaz de adiar um compromisso ante um convite para uma viagem ou mesmo uma noitada com amigos. A vida era vivida na hora mesmo porque era mais fácil e saborosa que a construção do porvir.

Em breve traremos mais informações sobre Túlio, principalmente sobre a sua obra, exposições e fotos. Por ora fica o registro da passagem do amigo Marcos Túlio Cordeiro dos Santos, meio século de uma consistente amizade com toda a cumplicidade preceituada por sua persona.

           

           

 

 

 

Tribuna da Imprensa sai de circulação

O jornal Tribuna da Imprensa, fundado em 1949 por Carlos Lacerda, lançou sua última edição nesta segunda (1º). Segundo Hélio Fernandes - que assumiu o jornal em 1962 - a circulação será suspensa por alguns meses. O periódico passa por dificuldades financeiras e aguarda indenização da União pelas perseguições sofridas durante a Ditadura Militar.

A Tribuna da Imprensa foi fundada em 27 de dezembro de 1949 por Carlos Lacerda. O nome vem da sua coluna no Correio da Manhã: "Da Tribuna da Imprensa". Foi neste jornal que em 1954, Lacerda sugeriu a renúncia do Presidente Getúlio Vargas, seu inimigo político. Ainda no mesmo ano, Getúlio faleceu e governistas invadiram e empastelaram a sede do jornal.

Em 1961, Lacerda vendeu o jornal para Manuel Francisco do Nascimento Brito, genro da Condessa Pereira, então dona do Jornal do Brasil. Mais tarde era a vez de Hélio Fernandes assumir o ativo e passivo do jornal, de onde nunca mais saiu.

Durante a Ditadura Militar o jornal esteve sob forte censura prévia. Em 26 de março de 1981, em um dos últimos atos dos militares, foi detonada na sede do jornal uma bomba que destruiu suas máquinas.

Um processo de indenização do jornal por causa das perseguições dos militares segue na justiça. Apesar de ganhar em primeira instância, a ação está hoje aguardando julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Veja abaixo a íntegra do último artigo de Hélio Fernandes no jornal desta segunda. 

 

A TRIBUNA interrompe momentamente a circulação

POR CULPA DA JUSTIÇA MOROSA,
TENDENCIOSA, DESCUIDADA, DISPLICENTE,
VERDADEIRAMENTE INJUSTA E AUSENTE,
TÃO DITATORIAL QUANTO A DITADURA

O douto procurador-geral da República, Claudio Fonteles, recusou o AGRAVO da União, identificando-o como PROTELATÓRIO.

O imodesto ministro Joaquim Barbosa recebeu o AGRAVO da União, sabendo que era PROTELATÓRIO. Levou 2 anos e meio para entender.

Com a mente revoltada e o coração sangrando, escrevo serenamente, mas com a certeza de que é um libelo que atinge, vai atingir e quero mesmo que atinja o sistema Judiciário. As palavras que coloquei como título desta comunicação representam a ignomínia judicial, que se considera poderosa e inatingível, mas é apenas covarde e insensível.

Retira-se dessa acusação global apenas a primeira instância. O juiz que em 1979 recebeu a ação desta Tribuna da Imprensa examinou imediatamente a questão e dividiu a ação em duas. Uma chamada de LÍQUIDA, que decidiu imediatamente e que, lógico, foi objeto de recursos indevidos, malévolos e protelatórios, que é a que está na mesa do ministro Joaquim Barbosa.

A outra, denominada de ILÍQUIDA, juntava e junta prejuízos ainda maiores, como desvalorização do título do jornal, lucros cessantes, páginas em branco durante 10 anos, perseguição aos anunciantes, que intimidados pessoalmente pelo então diretor da Receita deixavam de anunciar.
(Esse diretor da Receita Federal, Orlando Travancas, era feroz na perseguição e na intimidação. Não demorou muito, foi flagrado em crime de extorsão e corrupção, não quiseram prendê-lo, seria desmoralização para o regime. Foi aposentado luxuosamente, com proventos financeiros "generosos").

A ação ILÍQUIDA dependia de PERÍCIA, que vem desde 1982, e não foi feita por irresponsabilidade e falta de interesse de dois lados. Acreditamos que agora andará em velocidade para recuperar o tempo perdido. Na ação dita LÍQUIDA, o competente juiz de primeira instância, cumprindo o seu dever, sem temor ou dificuldade, condenava a União ao pagamento da INDENIZAÇÃO devida a esta Tribuna.
Que sabendo dos obstáculos que enfrentaria, dos sacrifícios a que seria submetida, assumiu sem qualquer restrição a resistência ao autoritarismo e à permanente e intransigente defesa do interesse nacional, tão sacrificado. "Combatíamos o bom combate", como disse o Apóstolo Paulo.

De 1982 (primeira e única sentença) até este ano de 2008 (26 anos), a decisão do competente juiz de primeira instância foi naufragando na impunidade, no descuido, na imprudência dos chamados MAGISTRADOS SUPERIORES.

Nesses 26 anos, desembargadores que não tinham nenhum adjetivo, mas lutavam arduamente para ganhar a complementação de DESEMBARGADORES FEDERAIS, nem ligavam para a justiça ou a injustiça. Importantes, se consideravam insubstituíveis e incomparáveis, não queriam que alguém pensasse ou admitisse que eram inferiores. Lógico, cuidando da ambição pessoal, não podiam perder tempo FAZENDO JUSTIÇA. Que era o que o juiz de primeira instância compreendeu e decidiu imediatamente.

Em 26 de março de 1981, a ditadura agonizante mas vingativa explodiu prédios, máquinas e demais dependências desta Tribuna. Podíamos acrescentar isso na própria ação ou começar nova, com mais esse prejuízo colossal. Não quisemos. É fato também facilmente comprovável, não protestamos nem reivindicamos judicialmente em relação a mais esse terrorismo. Financeiro, econômico, irreparável.

Outro fato que também é acusação contra DESEMBARGADORES FEDERAIS facilmente comprovável verificando o andamento, quer dizer, a paralisação do processo: vários DESEMBARGADORES FEDERAIS ficaram 2, 3 e até 4 anos com o processo engavetado. Alguns devolviam o processo pela razão maior de todas: caíam na EXPULSÓRIA. Mas continuavam fazendo parte do esquema e sistema de atrasar a eficácia da prestação jurisdicional. Necessária nova distribuição, isso era feito lentamente, esqueciam inteiramente da importância de fazer justiça.

E o próprio Supremo Tribunal Federal não pode ser considerado INOCENTE ou DESCONHECEDOR do processo. Pois há quase 3 anos ele está na mesa do ministro Joaquim Barbosa, "esperavam um negro subserviente, encontraram um magistrado que veio para fazer justiça". Na prática está desmentindo a teoria. Negro ou branco, não importa a cor e sim a I-N-S-E-N-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E como magistrado.

O ministro Joaquim Barbosa, do STF, com extrema boa vontade, recebeu o recurso inócuo da União, verdadeira litigância de má-fé, que sabia ser apenas PROTELATÓRIO. Os autos estão descansando em seu gabinete desde abril de 2006. Postura diferente adotou o douto procurador-geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, que há mais de 2 anos já fulminara o teratológico recurso como INADMISSÍVEL, sem razão de ser, vez que almeja REDISCUTIR o que já tinha sido pacificado nas instâncias inferiores, ou seja, o direito líquido e certo desta Tribuna da Imprensa ser indenizada por conta de danos morais e prejuízos materiais de vulto que sofrera, em decorrência de atos truculentos e de censura permanente dos governantes dos anos de chumbo e que quase levaram o jornal à falência.

Inexplicavelmente, repita-se, o bravo (ou bravateiro?) Joaquim Barbosa aceitou o afrontoso apelo da União que nem deveria ser conhecido, por conta quem sabe de um cochilo, displicência ou então não tem a sabedoria jurídica que tanto apregoa.

Não quero ir mais longe, lembrar apenas o seguinte: a Tribuna da Imprensa não será FECHADA pela indolência da Justiça, que, sem perceber, a castiga tanto ou mais do que a ditadura, na medida em que por inaceitável MOROSIDADE está retardando a implementação da execução de sentença condenatória da ré, União Federal, e sua maior devedora.

ASSIM, suspenderemos por alguns meses a circulação deste jornal, que entra, coincidentemente, no ano 60 da sua existência. 14 com Carlos Lacerda, 46 com este repórter. Não transigimos, não conversamos, não negociamos a opinião aberta e franca pela recompensa escondida mas relevante. Poderíamos ter cedido, concedido, concordado, conquistaríamos a riqueza falsa e inconsciente, mas GLORIOSA E DURADOURA.

Vivemos num mundo dominado pela VISIBILIDADE e a RECIPROCIDADE. Como não nos entregamos nunca, como ninguém neste jornal distribui visibilidade para receber reciprocidade, estamos em situação dificílima.

Nesse quadro, já dissemos e reiteramos que essa primeira indenização será toda destinada ao pagamento de DÍVIDAS obrigatórias contraídas por causa da perseguição incessante comprovadamente sofrida.

Em matéria de tempo, uma parte do Judiciário foi mais ditatorial do que a ditadura. Esta perseguiu o jornal das mais variadas formas, por 20 anos. A Justiça quer ver se chega aos 30 anos, por conta de sua repugnante MOROSIDADE, TÃO RUINOSA e imoral quanto a ilimitada violência perpetrada pela ditadura.

Se vivo fosse, o jurista Ruy Barbosa por certo processaria os lenientes julgadores do processo indenizatório ajuizado pela Tribuna contra a União há quase 30 anos e sem pagamento algum até hoje, porque para Ruy, que é tão festejado e citado, mas não imitado, JUSTIÇA ATRASADA NÃO É JUSTIÇA, SENÃO INJUSTIÇA QUALIFICADA E MANIFESTA. Até breve. Muito breve.

PS - "A única coisa que devemos temer é o próprio medo. O medo inominável, injustificável, sem razão de ser. Medo que paralisa os esforços e transforma um avanço vitorioso numa derrota ou numa retirada desastrosa". Franklin Delano Roosevelt, 4 de março de 1933. Um dia antes de tomar posse pela primeira vez como presidente e já pronto para lançar o New Deal.

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